“As mulheres só querem saber de médico”
Um olhar sociocultural sobre o parto entre grupos sociais tradicionais da Amazônia Paraense
DOI:
https://doi.org/10.14244./2238-3069.2024/18Palavras-chave:
parteira; saberes locais; grupo social; cesárea; industrialização.Resumo
Este artigo analisa a transição do modo de parto entre grupos sociais tradicionais do estado do Pará, focando na substituição das práticas de parteiras por partos hospitalares, predominantemente cesáreas. Embora ambas as formas de parto tenham suas vantagens e desvantagens, a pesquisa enfatiza o enfraquecimento dos saberes locais e a desvalorização das parteiras. A modernização e a industrialização do parto são discutidas à luz de referências teóricas sócio-antropológicas sobre saúde, trabalho, sociedade e modos de vida, destacando a tensão percebida entre parteiras e médicos em territórios tradicionais. Com base em vivências no decorrer de observação participante e diálogos entre ribeirinhos, pescadores artesanais, quilombolas e ameríndios, o texto revela como o parto hospitalar, percebido como sinônimo de modernidade resulta em estigmas associados ao parto natural e à atuação das parteiras.
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