"Sentença de vida"

Disputando (outros) sentidos sobre hiv/aids no contexto do ativismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14244./2238-3069.2024/15

Palavras-chave:

hiv/aids, Ativismos, Direitos, Reconhecimento, Despatologização

Resumo

O artigo busca analisar as tensões entre os discursos biomédicos e a luta pela autodeterminação e pelo reconhecimento das pessoas que vivem com hiv/aids (PVHA). Com base em uma incursão narrativa, e adotando uma perspectiva interdisciplinar, que integra Saúde Coletiva, Ciências Sociais e Psicologia, discute-se como o saber médico, de modo geral, e a epidemiologia, em particular, produzem regimes de verdade sobre sujeitos, práticas e condições de saúde. Ao explorar a produção acadêmica e política de diversos atores envolvidos na luta por direitos em saúde no Brasil, como ativistas, pessoas que vivem com hiv e pesquisadores, o texto busca tensionar os dispositivos produtores de “morte civil”, destacando a importância da mobilização, da solidariedade e da afirmação da vida.

Biografia do Autor

Esmael Alves de Oliveira, Universidade Federal da Grande Dourados

É graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Possui mestrado em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas (PPGAS/UFAM) e doutorado pela Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC). Complementou sua formação com um pós-doutorado em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O segundo pós-doutorado foi realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), dentro da linha de pesquisa Políticas Públicas, Cultura e Produções Sociais, vinculada ao Laboratório de Psicologia da Saúde, Políticas da Cognição e da Subjetividade. Atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado, com bolsa do CNPq (Processo: 177092/2023-8), junto ao Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Fernandes Figueira da Fiocruz. É professor Adjunto na Universidade Federal da Grande Dourados, ministrando disciplinas nos cursos de Ciências Sociais e Psicologia, bem como nos Programas de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi) e em Antropologia (PPGAnt). Como pesquisador, está associado a diversos grupos de pesquisa, incluindo o GENSEX Gênero, Sexualidades e Saúde (CNPq/Fiocruz), o Impróprias - Grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferenças (UFMS/CNPq), o DiVerso: pesquis(ações) sob(re) resistências sociais (UFGD/CNPq) e o Grupo de Pesquisa TDI - TERRITÓRIO, DISCURSO E IDENTIDADE (UFGD/CNPq).

Gabriel Luis Pereira Nolasco , Instituto Brasileiro de Inovações Pró - Sociedade Saudável Centro-Oeste

Psicólogo formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul -UFMS. Doutor em Psicologia da Saúde pela Universidade Católica Dom Bosco - UCDB. É integrante do Laboratório de Psicologia da Saúde, Políticas da Cognição e da Subjetividade. É consultor técnico no Instituto Brasileiro de Inovações pró -Sociedade Saudável Centro -Oeste (IBISSCO), atuando em projetos estratégicos com temáticas relacionadas a sexualidade, gênero e saúde coletiva.

Marcos Nascimento , Instituto Fernandes Figueira/Fundação Oswaldo Cruz

Possui graduação Psicologia (1996) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado (2001) e doutorado (2011) em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente, é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coordenador do grupo de pesquisa do CNPq, Gensex - Núcleo de estudos sobre gênero, sexualidade e saúde. Orientador de mestrado e doutorado em saúde coletiva no Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Fernandes Figueira da Fiocruz, nas linhas de pesquisa (1) Gênero, Sexualidade, Reprodução e Saúde e (2) Violência e Saúde. Suas áreas de interesse incluem temas relacionados a gênero, sexualidades, masculinidades, violência e saúde. 

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Publicado

2025-03-21